"“Que é o homem, Senhor, para vós? Por que dele cuidais tanto assim, e no filho do homem pensais?”

(Salmo 8,4)

Ele me encontrou perdido, desacreditado, coberto de culpa e vergonha; vítima de mim, das escolhas, dos outros, da vida...

Havia um grito em mim, silencioso. Mas Ele conseguiu escutar! Havia desespero, dor, tristeza, vazio... E Ele conseguiu me achar! No emaranhado das minhas confusões, Ele me descobriu! Logo eu, que tentava me esconder, fugir. Mas Ele me achou. Foi Ele quem veio até mim, e estendeu-me a mão!

Ele viu o que ninguém mais conseguiu ver – nem eu mesmo; e me comunicou, em atos, o amor. Um amor que foi capaz de restituir a minha dignidade de filho, de filho amado.

Ele fez por mim o que ninguém jamais fez; e me fez sentir algo que não consigo explicar e tampouco negar. Algo que mudou e tem mudado a minha vida até hoje. É tudo muito evidente... Eu vejo, eu sinto, eu sei!

Ele acreditou, e insistiu!

(...)

Após um tempo seguindo Seus passos, pensei que conseguiria caminhar sozinho – sem Suas mãos, sem Sua graça. Eu já me achava experiente demais e maduro o suficiente para tomar as minhas próprias decisões.

No entanto, várias vezes, em meio às tentativas frustradas de dirigir a mim mesmo, eu acabei tropeçando, caindo e me perdendo nas minhas escolhas. Mas Ele me animava a não parar nas quedas nem nos desacertos. Ele sabia da minha imperfeição. E me assegurava estar sempre ali, do meu lado!

E quando eu não sabia mais como voltar, Ele sempre dava um jeito de me encontrar e me mostrar o caminho outra vez.

Suas palavras de ordem eram sempre: não desanime! Não desista! Não olhe pra trás!

(...)

Mesmo assim, repetidas vezes, eu insistia em olhar pra trás, com saudades do que deixei. Na verdade, eu estava com medo de abrir mão dos desejos e apegos que ainda havia em mim, mesmo após um tempo caminhando ao Seu lado.

Era como se o caminho se apertasse, e as exigências da porta estreita me obrigassem a eliminar os excessos. Mas eu estava resistente!

Apesar de tudo, Ele continuava a insistir para que eu não retrocedesse; garantindo que o que Ele me reservava era infinitamente melhor. E, no fundo, eu sabia disso! Mas há momentos em que a gente simplesmente não quer, porque o outro caminho é mais fácil; viver de qualquer forma, sem regras e sem propósitos é, aparentemente, mais confortável. Mas não é salvador! É uma escolha idiota, irresponsável!

Mas eu não queria aceitar isso! Estava desiluminando a razão, deixando-a desprovida de fé, perdendo-me nos conceitos, nos valores; paganizando-me. Reduzindo-me ao instinto e esquecendo a minha verdade de filho amado.

(...)

O que eu ainda não entendia é que Ele me havia assumido, e isso jamais mudaria. Porque Ele não volta atrás! Não era uma decisão que dependia exatamente de mim. Eu não tenho nenhum mérito nisso!

Eu não precisava agradá-lo para mantê-lo por perto, pois Ele me havia escolhido, e isso era irrevogável! Não importava o que eu fizesse ou deixasse de fazer. Sua decisão por mim independia das minhas ações. Era algo maior, constituinte de Sua natureza. Ele me amava e nada poderia mudar isso, nem mesmo as minhas quedas ou revoltas.

Pois no momento em que me percebi sem valor, envergonhado pelos erros, pelas infidelidades... Reconhecendo que Ele tinha todo o direito de me julgar, de me largar...

Descobri o que era Misericórdia de verdade.

(...)

E como foi bom descobrir que Ele estava comigo, em todo tempo. Como foi salvador perceber que Ele não me condenava, e estava sempre disposto a recomeçar comigo se eu quisesse...

A mim cabia apenas uma escolha: seguir com Ele ou deixar que Ele seguisse sem mim.

Segurei firme a Sua mão, e retomei o passo!

Sobre o autor
Generic placeholder image
Dênes de Souza
Missionário na Comunidade Crux Sacra.
COMENTÁRIOS

MISSÃO DA SOLIDARIEDADE

Sua doação leva almas pra Deus, renova a esperança e transforma vidas. Seja sócio, seja solidário. Ajude-nos a evangelizar e evangelize connosco!

Faça Parte
Textos Recentes
  • Generic placeholder image
    SUSTENTA O SORRISO
    Já pensou se a estrada da vida fosse apenas uma linha reta e sem qualquer vestígio de desgaste!? (...)
  • An image
    ELE NÃO VOLTA ATRÁS!
    Ele me encontrou perdido, desacreditado, coberto de culpa e vergonha; vítima de mim, das escolhas, dos outros, da vida (...)
  • Generic placeholder image
    NÃO TENHA MEDO DO SOFRIMENTO!
    Temer o sofrimento nos conduz a uma atitude da covardia, fazendo-nos escolher sempre o que nos convém, além de nos tornar infantis e escravos das nossas vontades (...)